Quem lê o livro de Daniel se impressiona. Com Daniel, claro. A história do jovem judeu e seus amigos, levados cativos pelo império babilônico, é das mais cativantes da Bíblia toda. Para dizer a verdade, a verdadeira história que está sendo contada é a do Deus daqueles rapazes.

Tendo dito isso, faço-lhes uma confidência. É que na minha última leitura do livro (procuro ler os profetas de uma só vez) o que realmente me chamou a atenção foi a postura do vilão do livro, o rei Nabucodonozor. Sim, ele mesmo. O pagão. O incrédulo. O arrogante. O mau caráter.

Porque, apesar de todos os predicativos do sujeito, ele demonstrou algumas qualidades de liderança que faltam em muitos líderes, sejam políticos, diretores de empresa, gerentes e até pastores cristãos. Siga o raciocínio.

  1. “Nabuco” (permita-me a intimidade) escolheu os melhores para a sua coorte. Até ele sabia que um time de águias não pode ser formado a partir de frangos. (Dn 1:3)
  2. “Nabuco” determinou que esses selecionados fossem treinados sem economia. Ele talvez já acreditava na máxima que diz “se você acha a educação cara, experimente a ignorância….” Ele sabia que uma equipe de alto desempenho não surge do nada.
  3. “Nabuco” não caía em conversa fiada. Um dia teve um sonho sinistro, chamou os sábios do reino e pediu que não só o interpretassem, mas que contassem o sonho também! Claro, se contasse o sonho, cada um podia dizer o que bem entendesse. Ele era mau, mas de bobo não tinha nada. Um líder ingênuo não costuma ir muito longe. (Dn 2:9)
  4. ‘Nabuco” sabia reconhecer quem tinha valor. Quando Daniel contou e interpretou o sonho, ele percebeu tratar-se de alguém acima da média. Não teve dúvidas. Imediatamente o designou governante de toda a província da Babilônia. Quem não sabe dar a valor a quem tem, logo fica sozinho para morrer abraçado aos seus defeitos. (Dn 2:48)
  5. “Nabuco” aprendeu a domar seu ego. Por ter se ensoberbecido enquanto andava pelos jardins suspensos da Babilônia e achado que era o centro do universo, ele acabou indo pastar (literalmente) durante 7 anos. Ao fim daquele período de terrível humilhação, quando o juízo voltou à sua mente, ele finalmente se dobrou diante do Senhor dos céus, e o honrou o glorificou (Dn 4:14-17). Algo que muitos líderes ainda não aprenderam. Porque alguns acham que são Deus. Outros, já têm certeza!

“Os filhos das trevas às vezes são mais prudentes que os da luz”, disse Jesus Cristo.

Que não seja o nosso caso!

É melhor aprender com um vilão do que ser um deles.